Archive for Abril 2009
Quando os prós se agigantam

Saudosa
* Pois bem, faltando cinco dias apenas para o retorno à sede cubista, eis me aqui mais uma vez uma vez escrevendo de terras recifenses, acomodada no mesmo Hotel Cult de outrora, apto 225, contando novidades de aqui e de acolá. Simbora aos fatos:
1- Hoje encerramos (praticamente) a primeira etapa do projeto de Implementação de Moedas Complementares e bancos populares tão comentado nos últimos dias. Reuniãos atrás de reuniãos com as lideranças das comunidades de São Amaro, Alto Zé do Pinho, representantes da Fundarpe e agitadores culturais do Coletivo Lumo, e eis aqui alguns dos encaminhamentos: a) será iniciado já em breve o mapeamento da malha comercial de Santo Amaro; 2) corrida em prol da abertura da sede da ong AltoFalante em Alto Zé do Pinho como primeiro passo para a constituição do lastro da moeda deles. Mais informações no www.cubanna.wordpress.com.
2- Na próxima segunda teremos uma reunião com a presidente Luciana Azevedo e após isso trazemos mais novidades a todos.
3- Além das atividades já citadas, o momento está propício para a revisão de alguns projetos que ficaram temporariamente engavetados. Na volta à Cuiabá teremos muito a fazer, e melhor, com ânimos absolutamente renovados.
4- Chegamos em Cuiabá na próxima quarta, dia 29. Já contando os minutos…
Além dos tópicos comentados, breve comentário sobre as atividades em andamento:
* Tá rolando neste fim-de-semana Tendencies Rock Festival e junto dele a transmissão do festival via rádio Abrafin. Desta vez, contatamos um grupo de comunicadores independentes que atuam na cidade – a galera do Nausearréia. Confira o resultado da parceria no www.abrafin.org.
* Sobre as parceria há que se dizer que trabalhar com uma equipe a distância é sempre um desafio, apesar da tarefa ser sempre deleitosa em virtude da troca que se estabelece entre as pontas. Aos interessados, o esquema de produção geralmente se dá assim: acionamos alguma banda ou produtor parceiro para convidá-lo a compor o projeto, e caso não tenha interesse, pedimos que nos indique algum possível parceiro… daí vamos acionando e mostrando a potencialidade do projeto, e depois disso, pronto, fechamos o contato e trabalhamos a qualificação do ponto.
Possíveis problemas do método:
1- Falta de qualificação técnica para gestão do equipamento de transmissão – que procuramos remediar com a parceria com o técnico do PA ou algum técnico de sonorização que faça parte da equipe do festival;
2- Falta de comprometimento com a transmissão durante sua execução, já que tem shows que é foda não assistir de perto;
3- Falta de experiência de locução – problema que dificilmente pega, mas que procuramos remediar com um conselho gestor que acompanha as transmissões via Messenger (santos Ney Hugo e Felipe).
* Na soma final, os aspectos positivos são sempre sobressalentes, tendo em vista que as transmissões:
1- Possibilitam acesso aos shows até mesmo de cidades mais longínquas;
2- Potencializa a formação de platéia para o mercado da música independente;
3-Promove a difusão desta que é uma das (senão a mais) plataformas mais importantes de difusão da nova música brasileira;
4- Estabelece novas parcerias e reforça as já antigas nos circuitos locais, potencializando as relações entre os comunicadores independentes e os produtores de festivais;
5- Promove uma mostra da diversidade sonora que vem sendo engendrada no setor da música independente;
6- Entre muitos outros fatores.
Resultado: Os prós se agigantam perto dos contras.
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* Hoje bateu saudade de casa. De mãe, pai e irmãs. A vida corre tanto às vezes.
* Alguém aí tem um bom programa para passar esse fim-de-semana? Lembrei-me do Wander Wildner…
* Fui!
Em Recife: novidades daqui e de acolá

Olinda
* Mais um dia em terras nordestinas e contando no dedo o retorno à sede, cá estou eu novamente escrevendo de Recife, depois de um dia ensolarado e marcado pela andança que fizemos em Olinda - cidade histórica pernambucana das mais antigas, que fica a pouquíssimos minutos daqui. Depois de dias de ensaio, finalmente nos disposmos a dar uma parada e molhar um pouco o pé n’água salgada do mar pernambucano. Dia agradável, mente descansada… mas nada que atrapalhe a volta dos dedos aos teclados.
* Amanhã recomeça nossa maratona final de implementação do Projeto de Moedas Complementares aqui em PE. A agenda vai ser um pouco corrida: de manhã reunião com a rapaziada do Alto Zé do Pinho, à tarde reunião com a Comissão de São Amaro, a noite encaminhamento de projetos do Circuito, Cubo, Abrafin, etc, e assim, sucessivamente, até nossa partida na quarta, dia 29, pra não se sabe onde (rs). Brincadeiras a parte, Cuiabá é o destino.
* Enquanto isso, as atividades na sede continuam bombando. Ms Canhetti enviou-me hoje o projeto do Prêmio Hell City que acontecerá no início de maio na terrinha, premiando agentes culturais em dezessete categorias diferentes. Segundo notícias de bastidores, já foram computados pra lá de cinco mil votos. Muita coisa para um prêmio jovem de duas edições, solamente. Pois bem, projeto encaminhado, decupagens em andamento, e assim vai correndo a produça do prêmio por lá… Mais novidades ela conta em seu blog pessoal, no Caleidoscubo.

* Outra atividade bacana que anda rolando é início do Mapeamento de Coletivos Fora do Eixo, que está sendo capitaneado por representantes de seis coletivos em regiões diferentes do Brasil. A proposta é lançarmos no Congresso Fora do Eixo o Anuário Estatístico dos Coletivos FE, municiando tanto o planejamento, quando os setores de comunicação e captação de recursos (entre outros interessados) com informações sobre toda a movimentação que vem sendo capitaneada pelos Fora do Eixo em todo o país. Quem atua no setor sabe que uma das maiores escassez da cultura no Brasil é a obtenção de dados sistematizados. E um relatório como esse, sem dúvida, será muito bem-vindo tanto pelo setor público, quando por outras iniciativas no campo da música independente. Uma preciosidade aos estudiosos e planejadores da área…
* A Abrafin também está em fase de desenvolvimento do relatório de 2008 dos festivais associados. Quem assina a análise dos dados é o Bruno Ramos, do Música e Mercado. Muitíssimo em breve estaremos apresentando ao público os dados em questão.
* Além dos mapeamentos, estamos em fase de fechamento de números do Grito Rock 2009. Estamos fechando dados tais como número de iniciativas formais que capitaneiam as ações no estado, bem como período de abertura de inscrições, coletivos que possuem veículos de informação, gênero dos produtores realizadores, projetos que os coeltivos desenvolvem, entre outras informações que municiarão de informações sobre a rede. A partir daí compilaremos o projeto de captação de 2009 em parceria com os coletivos… a meta é qualificar o levantamento de recursos para o ano que vem. Na próxima semana apresentarei novidades sobre isso aqui!
* Além disso, eu junto ao Ney Hugo estamos fechando detalhes da produção da transmissão do Tendencies Festival, que acontecerá neste fim-de-semana em Palmas. O Tendencies é realizado pela casa de shows homônimo, sob comando do produtor Porkão, que também realiza o GR Palmas por lá. A produça tá em andamento, e mais detalhes sobre isso conto ao longo da semana… Por enquanto, quem quiser saber mais sobre o festival, só acessar o site da Abrafin.
* Eis por hora rapeizes, quem quiser saber mais só comentar. Por horas ficamos assim. Bjs e fui!
Em Recife mais dez dias
RecifeLinda
* Alô, olá, eis me aqui de volta, escrevendo novamente de Recife, cuja previsão de partida era pra hoje, porém, em virtude do ‘projeto de Implementação de moedas complementares e bancos populares no PE’ (que estamos desenvolvendo em parceria com a FUNDARPE e Lumo), resolvemos ficar um tempo mais para amarrar melhor a história antes de alçarmos vôo em direção à querida e saudosa Hell City, ou antes, sabe-se lá para onde…
* Depois de recuparada parcialmente da gripe pancada que me abateu durante a semana, consegui na quinta-feira, 16, participar das reuniões realizadas com as lideranças de Santo Amaro, uma das comunidades onde desenvolveremos o projeto, junto ao Alto Zé do Pinho – conforme a Lê já registou no Cubanna.
* A metodologia da reunião foi semelhante as demais já realizadas até aqui, porém, desta vez mais focada no Cubo Card. Depois de ouvir a experiência da moeda cuiabana e as explanações a respeito do modelo híbrido que pretende ser desenvolvido ali (força de trabalho + lastro em R$), o espaço foi aberto para os presentes tecerem considerações sobre o tema… e o resultado foi que poucas foram as vezes que a platéia acrescentou tanto ao tema. E não digo isso no intuito de desqualificar os demais ouvintes, mas de valorizar a participação da comunidade de Santo Amaro que iniciaramali o delineamento do projeto, conforme eles julgam necessário para a própria localidade…grande participação dos amaros.
* Além do projeto de moedas complementares, a semana foi marcada pelo acompanhamento da produção da rádio Abrafin, que desta vez transmitiria ao vivo o Abril Pro Rock, em parceria com o Lumo e Massa Coletiva. O resultado é que a transmissão foi um sucesso, teve momentos de tanto pico, que mal conseguíamos acessar o player. Postaremos em breve os melhores momentos para que quem não ouviu, possa curtir e opinar.

Em breve postaremos a retrospectiva no site da Abrafin
* Falando em APR, como não podia deixar de ser, fui conferir – junto aos meus companheiros cubistas – o primeiro dia da 17ª edição do lendário festival pernambucano, que fez escola na cena da música independente brasileira, e estimulou o surgimento de muitos outros eventos do gênero. É recorrente ouvir de jovens produtores, que freqüentavam o festival desde muito cedo, que se inspiraram com a proposta da empreitada… Referências históricas a parte, fato é que o APR hoje é bem diferente do método operacional CUBO… e por questões óbvias, que vão desde a escolha de seus headliners ao preço da bilhete. Fora o fato de como o festival dialoga com o cenário local, e trabalha pelo desenvolvimento de novos empreendimentos do setor… realmente bem diferente de método de gestão cubista.
* Pois então, conforme combinado hoje trago logo abaixo a compilação do debate sobre métodos de produção / modus operandi da MPB X Rock (nem queria colocar nesses termos, mas vamos lá) travado durante a discussão no NE Indie… Vale colocar, que as questões levantadas no último post de preconceituoso não há nada, e tampouco são pautadas em achismos. Pelo contrário, são constatações frutos de um processo de circulação amplo por diversos estados, e participações em dezenas de reuniões e fóruns de classe envolvendo músicos de diversos segmentos musicais. Fato é que boa parte dos músicos dedicados ao segmento sublinhado, vieram destacando sim mais problemas, que alternativas sustentáveis para as deficiências do setor. E como a participação do citado músico paraíbano não fora diferente, acabou servindo de gancho para um debate que rola há algum tempo nas internas cubistas…
* Deixo agora os comentários e reflexões tecidas ao longo do debate, e quem quiser acrescentar, sinta-se a vontade no comments. Abraços e fui!
ps. Amanhã vai rolar reunião com agentes do Circuito Fora do Eixo para debater o mapeamento das redes setoriais… quem tiver interesse em saber mais infos sobre o tema, só falar~!
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Pra contextualizar, a história foi a seguinte: A Carol Mundo postou meu texto e o da Cubanna na lista do NE Indie para divulgar nossa passagem pela cidade. Respondendo as questões que tinha levantado no último post, o Edy Gonzaga – do Cabruêra – teceu suas impressões sobre o tema, a partir daí a discussão se prolongou… Segue logo abaixo algumas considerações que foram tecidas em relação ao tema:
Edy Gonzaga – Soou preconceituoso em relação ao estilo, q na minha opinião não pega bem pra nenhum produtor cultura.
Pablo Capilé – São estes “reclamões” que mais recebem investimento do poder público em suas carreiras, que mais tocam em eventos de prefeituras e do Estado, que mais se encaixam na tal World Music que facilita a inserção em outros países e etc. Ai acostumados com isso, acabam montando grandes equipes em torno deles o que inviabiliza completamente a circulação pelo Brasil, que ainda tem um mercado em crescimento e que muitas vezes não pode pagar passagens para produtor, teÉcnico de som, roadie e mais a banda toda de um artista desconhecido na maioria das cidades (…)
Edy Gonzaga – (…) MPB tem uma série de artistas, tão ou mais articulados qto qqr um. Isso não difere em relação a estilo e sim em relação a atitude. Tem artista MPB, muito roquenrou e banda roquenrou querendo ser Caetano… Minha observação é em relação a isso. Não coloque td mundo no msm saco, nem generalize os exemplos… dependendo da situação, da hora e do dia, tudo muda (…)
Anderson Foca – No geral a turma da mpb participa pouco sim, mas acho que mais pelo fato de ter uma visão mais romântica da realidade e até pelo fato de não serem profissionais da área (muitos a tem outros empregos e tbm trabalham com música quando podem e afins). Mesmo sendo, muitos foram criados com pespectiva de gravadoras, solidez da fama e assim vai, ai terminam não entendo a que se propõe trabalhos com o do Festvial Mundo. Parei de chamar alguns artistas dessa praia no Dosol porque ele davam muito trabalho (muitas excigência) e nenhum retorno ao festival, que como todo mundo sabe é uma via de mão dupla e é bom para os dois lados.
Edy Gonzaga - Agora, o fato de eles participarem pouco das palestras ministradas pelo circuito rock, não quer dizer, em hipótese nenhuma, q eles estejam alheios ou desarticulados.
Pablo Capilé -Se o Macaco Bong é mais conhecido em Jampa do que o escurinho em Cuiabá isso deve ter algum motivo….principalmente pq um tem 20 anos de carreira e o outro tem 5..
Edy Gonzaga - O fato de eles não procurarem esse circuito não demonstra q eles não circulem, q não produzam, q não viajem. Esse circuito de rock, não é o único. O fato de vc não vê, não quer dizer q não acontece. Ele acontece msm longe do seus olhos. É isso q estou tentando mostrar. Amplie seu olhar, há muita coisa acontecendo além do q supõe a nossa vã filosofia (…)
Edy Gonzaga - Eu estou afirmando, como o próprio Bruno citou, q artistas do quilate de CURUMIN, só pra citar um exemplo, está inserido nessa sigla e consegue se articular muito bem… é isso q estou colocando. Afirmação q o txt do blog, contraria. Só isso.
Pablo Capilé -Eu não disse que só existe esse circuito, eu disse desde o começo que não contentes com o circuito diferenciado a que vc se refere, esses artistas reclamam de não participarem desses festivais, sendo que seu foco de trabalho na maioria das vezes nem é esse. E outra, peguemos Minas como exemplo de novo, essa historia de que existem circuitos aqui no brasil onde esses artistas sobrevivem muito bem e de forma organizada não é bem uma verdade né edy. A grande maioria ainda sobrevide de verba pública, só circula com verba pública, nao paga passagens para tocar, nao se conectam em rede, ou seja, estaõ MUITO DISTANTES de conseguir um mercado auto sustentavel para sua arte fora do circuito sesc, prefeitura, estados etc.
Henrique Baixos – Duas coisas: – Pq continuarmos dividindo os artistas em MPB ou Roque? Na boa… – Do it yourself.. e pelos outros.
Pablo Capilé - Vamos pegar isso pelos festivais, que da pra traçar um belo parametro: Os festivais de “rock” estão vcada vez mais abertos a diversidade em sua programação, muito mais pela propositividade do produtor do que propriamente dos artistas. Já os festivais de MPB continuam com o mesmo formato de sempre, não se abrem pra galera do rock e ainda mantem aquele esquema de festivais competitivos, com premiações e etc. Dai ja da pra tirar um pouco do Dna de cada um destes estilos.
Pablo Capilé - Quando falamos de “MPB” ou de ‘ROCK” estamos falano muito mais de uma filosofia de trabalho do que propriamente do som que cada um desses artistas fazem. Não é a toa que essa nova safra da MPB, a neo-mpb, ja nasce muito mais conectada com a filosofia desse circuito rock n roll, de se auto produzir, de pagar passagem pra viajar, de rodar os festivais da abrafin, de se divulagar via midias independentes que tem origem no rock e etc. Entre eles Curumin, Jonas Sá, Cabruera, Nina Becker, Do Amor, entre outros. Já os “old school” , que ainda são a bgrande maioria, manté aquela visao muito similar a dos festivais de “MPB” , mega equipes, milhares de exigencias, dependecia quase total do poder publico, foco no mercado internacional, naquela visão de artista iluminado que só quer ensaiar e tocar enquanto os “em volta” desenrolam as burocracias.
Edy Gonzaga - Mas, uma questão : qdo foi colocado o termo MPB não foi uma generalização sem considerar o q é ‘neo’, ou ‘pós’, ou proto ? Foi isso q me incomodou. Pq essas verdades ou soluções apresentadas, pelo rock ou mpb tem q estar contextualizadas. Essa não é uma cartilha tão simples de cumprir. Tem q ter informação, cacife, disposição e tempo. Vamos concordar, nem tds tem. Portanto, acho q não deveríamos desmerecer certa parcela da produção cultural simplesmente por não ter como, ou não conseguir se manter nesse patamar de organização e articulação.
Luciano Matos - A “MPB”, que generaliza ainda mais que o rock, não necessariamente não queria ser independente, mas tinha mercado pra crescer com um passo maio rdentor do mercado, gravadoras se ineteressavam, lançavam e tal, nao necessariamente grandes gravadoras, mas selos mais abastados. Isso tb nao da culpa aos artistas desse nicho, nao sao piores por nao se integrarem num modelo que aqui julgamos o unico correto. O que acho é que os festivais tem um poder maior do que revelar apenas bandas de rock, alguns ja fazem isso muito bem, outros são assumidamente só rock Não é erro, mas seri alegal ter mais que isto gosto de ver quando um Goiania Noise aprsenta alguns nomes fora do circuito rock tipo ano passado com Curumin, que circulou tb por outros festivais
Luciano Matos – a princpal forma de diferencia um artista do outro é a qualidade acho que é oprimeiro criterio, pelo menos deveria ser pra mim deveria ser o criterio de qualquer curadoria depois ver se é viavel ou nao, se o artista topa ou nao o esquema oferecido e sei que isso nao tem nada a ver com rotulo ou estilo (..)
Felipe Gurgel -O que eu acho que Pablo quis dizer é que alguns artistas encaixados no “filão MPB” talvez não estejam muito preocupados em facilitar o acesso a seus shows, tendo pouca flexibilidade de negociação e fechando olhos para a realidade mercadológica. Vaidade ou falta de noção desses artistas? Talvez não. Uns não têm a mesma condição de investir na carreira como um jovem de classe média pode ter, por exemplo. Mas também não faz sentido cobrar que o mercado lhe absorva exatamente do jeito que idealiza.
Pablo Capilé - O primeiro criterio tem centenas e milhares, se começarmos a debater aqui o que é qualidade pra cada um de nós o debate vai MUITO LONGE. É obvio que o primeiro criterio é a qualidade, mas ja passamos ele, ja estamos falando do segundo momento(…)
Luciano Matos - Acho que os festivais tem que ter essa responsabilidade, como exigimos das radios, das tv e nao creio que seja só pelo genero, estilo, acredito que tenha tb mas ai nao é hora de ver que se um cara exige um pouco mais é pq ele conquistou mais e nao pq ele nao é parceiro ou nao entrou no “metodo indie” de agir? nao é o unico o principal pra mim é se disponibiliza ro que melhor é feito em termos musicais
Fabrício Nobre - Os artistas tem que tentar flexibilizar e investir em circulação para poder participar de mais eventos. E os produtores, sim, tem que abrir as curadorias pra um leque mais abrangente de possibilidades. Mas o lance é debater mais, e tentar participar mais, não só tocando, mas atuando e se atulizando, do que chorando, e dificultando. (…)Sobre rock e MPB. O que é rock e que é MPB é muito complicado discutir no Brasil.
Pablo Capilé – Tu fala que faria de tudo para que os melhores pudessem tocar e lva a crer que é facil assim, que é so ter força de vontade que consegue colocar todos os artistas que vc quer na programação, quem dera que fosse assim. Sempre levo o que acho melhor para meu festival, mas nao da ptra ficar investindo 5 mil reais, mais 8 aereas, mais hospedagem e alimentação para artistas que são pouco conhecidos na cidade só pq são bons, o custo total de um artista desse é de 10 mil reais quase, tem gente que faz festival com esse valor. Marcelo Camelo faz exigencias mas leva publico cara, não estamos falando destes, estes ai circulam muito e sempre, estamos falando dos que nao são conhecidos, nao tem publico local e fazem algumas exihgencias alem da capacidade do festival.
Luciano Matos -só to dizendo que nao é o genero que define isso, senao nao teria o monte de nome de mpb e nao rock que vc disse la no outro mail que circulou pelos festivais o ponto de dicussao é, nao é o estilo que define se e chorão ou nao, se aceita ou não
Pablo Capilé -Mas é esse o ponto quando debatemos estatistica. estamos falando de maioria da mpb e maioria no rock. A Maioria da galera da mpb faz ainda algumas exigencias fora da realidade, e isso nao é mais maioria no rock hj, a galera ta mais antenada. É so ver que esses caras que estamos citando como exemplo de música contemporanea, ja nascem conectados a esse modus operandi do circuito rock, de auto gestao, de rede, de parcerias e facilitações, de negociações mais flexiveis e etc….
Luciano Matos - Não sei se Escurinho paga, mas sei de bandas de rock, que circulam por festivais qu enao pagariam tem varias ocisas ai, o pessoal da dita “mpb” talvez nao conheçam os festivais tão bem, não saiba os ganhos por tras, nao conheça o discurso cabe a quem faz chama-los, mostrar como é, se é do interesse que eles partivcipem e pelo que estou vendo é as bandas de rock independente ja entendem mesmo , em boa parte do que temos acesos, pelo menos
Pablo Capilé – Me mostra então esse circuito ai que existe no “outro meio” que a gente não acessa. Posso falar do centro oeste e do norte, e tenho certeza que aqui essas bandas do “outro meio” não circulam como as bandas do “nosso meio”. Galera do Rock tambem conquista editais, viaja pra fora e etc, ninguem ta falando que isso não é merito, isso ta mais que cERTO. Mas a maioria desse “outro meio” fica pendurada na verba pública, e se acomoda. É fato. Acabei de sair de uma reuniao agora com representantes do forum da musica de recife e outras entidades e percebi que aqui a historia é exatamente a mesma, fora do “nosso meio” a grande maioria fica esperando um poder publico PAI, um sesc PAI, etc.
Pablo Capilé – Todos os que vc citou estao fazendo o circuito de festivais tambem meu caro, Eddie, Cordel, Chico Correa, wado, todos. Esses ai nao ficam esperando dinheiro publico, esses ai facilitam demais pra ir. Esses ai são exceção, nós estamos falando da regra, da maioria. Já no Rock posso citar 100 aqui que estao facilitando se vc quiser, ou seja, é muito discreprante. É aquilo. no rock os bons artistas que facilitam é regra, no outro meio é exceção.
Pablo Capilé -Não da pra estimular a diversidade sem pensar em custo beneficio. Não é simples montar uma curadoria de festival com artistas que absolutamenyte ninguem conhece e que cobram uma fortuna. O Rec beat por exemplo é integralmente financiado pela prefeitura de Recife, ai é outra historia, da pra experimentar mais, sem falar que é gratuito. É muito facil falar de um plano ideal e não pensar que tem uma realidade por tras desse plano ideal.
Pablo Capilé – com a grana que gastaria trazendo a ceu ou a orquestra imperial, da pra trazer 10 artistas independentes tão bons quantos e que estão facilitando a circulação e retroalimentando a cadeia. Mas acho bacana que eles circulem, mas tambem nao estou falando desses que ja tem certa exposição de midia, to falando dos artistaas pequenos desse outro meio, que nao facilitam MESMO.
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* A segunda parte do debate publico no próximo post.*
De volta para Recife
Cá estou eu novamente, teclando desta vez de Recife, depois de dias de enfermidade e pulmões mergulhados sob a gosma chapante da gripe que se ensarnou em mim desde domingo, em nosso último dia de Jampalândia, e acomodou-me por pelo menos dois dias sob a cama amistosa, porém pouco familiar, do hotel Cult, para onde retornamos na nossa última – creio eu e por hora – semana de passagem por terras pernambucas.
Falando em Jampa, o último post levantou um incêndio na cidade do Mundo. A tal história da MPB deu o que falar nas listas de discussões virtuais dos músicos paraíbanos, e também na movimentada Nordeste Independente, de onde sim, minha gente, sou membro há algum tempo. Lá inclusive é uma das fontes de pesquisas mais ricas e de onde viemos coletando e estudando, ao longo dos últimos dois anos, informações em geral que contribuam com as estratégias de ações em rede adotadas por nós cubistas…
Porém, não será ainda hoje que comentarei o assunto. Estou preparando um compilação de todos os argumentos apresentados durante a discussão de mais de cem post na lista no NE Indie e destacarei os pontos que considerei relevantes no embate que durou pelo menos três dias, e contou com uma pá de agentes produtivos bacanas opinando sobre o tema. Muitas leituras importantes foram publicadas ali…
Por hora passei pra dizer OI mesmo pra geral, e deixar na agenda que amanhã volto com mais post. Fui.
Em Jampa: cof cof cof

A espera do ônibus para Jampa na Rod de Fortaleza: o volume da bagagem só que aumenta..
* Alô Alô saudoso leitor. Mais um dia de andança e dessa vez escrevo de João Pessoa, em nosso último dia de estada em terras paraibanas, sob um teto molhado de tempetura amena, porém, com um cachecol enrolado em meu pescoço em virtude de uma gripe alérgica que me acometeu e quase, repito, quase, derrubou-se em nossa quarta semana de pé-na-estrada. Com ânimo recobrado e com o pulmão bem protegido, cá estou reportando mais momentos importantes desse intercâmbio. Atchim (!) e vamos lá:
* Chegamos em Jampa – como carinhosamente é chamada a capital de PB há dois dias, conforme descreveu a Cubbana, em seu último post, e fomos recebidos pela dupla Mundo Carol Morena e Rayan Lins – produtores do Festival Mundo e que agora estão no comando dos trabalhos do Coletivo de mesmo nome por aqui. Vale a leitura:
1) O Mundo colocou PB definitivamente no mapa da circulação nacional, com a realização de ações como o festival já citado (esse ano chega a sua quinta edição), com Grito Rock Jampa, Festival Nordeste Independente, e shows periódicos promovidos pelo grupo produtor. Além disso, a cidade conta ainda com o Aumenta que é Rock, outra ação de repercussão nacional, que compõe o calendário indie da cidade, e que em breve solicitará filiação à Abrafin, o que (caso aconteça) aumentará para dois a representatividade de PB na teia de produções independente Abrafinicas;
2) Com a abertura da casa de show (que provavelmente levará a marca do coletivo) somada a instituição do ponto fora do eixo na cidade, a rota Recife, Jampa e Natal – cidade distantes a cerca de duas horas uma da outra- promote ficar ainda mais movimentada. Neste domingo rolou uma reunião com a participação dos três coletivos, a citar, Lumo (PE), Mundo (PB) e Noise (RN), a proposta é estreitar a relação entre o trio e desenvolver ações conjuntas de circulação, fomento e difusão da movimentação independente por aqui;
3) Assim como nas demais cidades nordestinas, por onde passamos, o diagnósticos em relação ao trabalho das bandas locais foram parecidos: investimentos parcos em circulação, pouca pró-atividade no que se refere a ações de difusão da própria marca, falta de organização para a produção de acões complementares que visem a sustentabilidade dos trabalhos (a exemplo do Movéis Coloniais de Acajú), etc. Só aqui há pelo menos duas bandas com visibilidade expressiva em nível nacional… quem nunca ouviu falar da Zefirina Bomba ou Burro Morto? A primeira já esteve em Cuiabá no mínino em duas ocasiões; a segunda provavelmente fará seu debute no Calango deste ano, ao lado de outros nomes bacaníssimos da nova música brasileira…

Ouça: www.myspace.com/burromorto
* Uma das discussões de destaque neste sábado, durante a oficina ministrada pelo Capilé foi sobre o conceito ‘independente’ capitaneado pela Abrafin. Vale lembrar que o conceito tem descricão estatutária, e que os festivais considerados como tal são aqueles que tem (1) no mínimo 75% das atrações, a cada edição, formado por artistas e bandas não ligados a grandesconglomerados, gravadoras multinacionais, selos “majors” e/ou ligadas a grandes grupos econômicos de entretenimento; (2) no mínimo 75% das atrações, a cada edição, formado por artistas e bandas brasileiros; (3) no mínimo 25% das atrações, a cada edição, formado por artistas e bandas do estado onde o mesmo é realizado; (4) não pode ser gerido e/ou produzido por entes governamentais de quaisquer níveis (federais, estaduais ou municipais) ou ainda por quaisquer de suas secretarias; (5) não pode ter sua produção realizada, ou ser
mantido exclusivamente por grande emissora de telecomunicações; (6) não pode ser gerido e/ou produzido por grande emissora (ver estatuto completo aqui);
* Uma das interpelações realizadas na palestra do sábado foi a do Escurinho, músico notório da Paraíba que acompanhou um bocadinho das exposições feitas pelo cubista durante a tarde. Ao tomar a palavra, o músico criticou a postura dos festivais em investir apenas no circuito rock e também os produtores jovens, que deveriam, segundo ele, ter o ouvido musical mais aberto a um universo mais ampliado da música brasilera. Citou como exemplo positivo o Abril Pro Rock, onde já havia tocado uma vez…
* No contraponto, Capilé argumentou que não há só festivais de rock na associação (há o MIMO, o Festival Consciência Hip Hop, Festival Cururu Siriri) e que a tendência é que esse universo ritmico se amplie mais… defendeu também que há muitos festivais se abrindo a diversidade de sons, a exemplo do Se Rasgun, Calango, entre outros, e que os produtores (que são os donos das produções e têm total autonomia na curadoria) veiculavam nos set lists o som que curtiam, e que a maioria, vinha do segmento do rock duro. O debate foi quente, e antes mesmo de acabar, o músico teve que se ausentar… o que particulamente, pra mim, soou inoportuno. Daí, traçoas seguintes reflexões:
1) Será culpa dos festivais a pouca inserção dos músicos da chamada MPB em seu set list?
2) Alguém sabe me dizer quais iniciativas esses tais músicas desenvolvem para a articulação do segmento? Não estariam ainda muito ligados à lógica do mercado da era áurea das grandes gravadoras, mesmo os independentes?
3) Qual a ocupação de espaço dos mesmos no que diz respeito ao debate sobre políticas públicas para a música no Brasil? A política da reclamação não seria mais cômoda?
4) Não seria mais adequado estrategicamente a presença desses músicos e produtores nos festivais mesmo que para pesquisar as produções, ou participar das rodadas de negócios, palestras e debates que vem sendo travados sobre as novas tendências do setor?
* Enfim, deixo as perguntas, e agradeço aos que quiserem contribui com o debate…
* Perdi hoje a reunião dos pontos Fora do Eixo da trinca local, 0 corpo realmente exigiu descanso (cof cof cof); Grande pesar da minha parte…
* Hoje é aniversário da minha mui amada irmã Michelle, que completa seus vinte e sete aninhos. Beijocas de parabéns micha.
* Logo seguimos para Recife, e de lá, com mais ânimos nos pulmões, conto mais novidades.*
De Recife para Fortaleza

Momento Oficina Cubo Tec: Capilé abrindo as atividades
*Oi novamente, e cá estamos nós agora em Fortaleza, depois vários dias de atividades em Recife – terrinha boa – que nos recebeu carinhosamente e, como já disse antes, nos proporcionou uma série de novidades.. tantas que já estamos estudando inclusive mudanças de datas em nosso planejamento… como nas datas do Calango, por exemplo. Nada oficial, questão em estudo, vale citar.
* Pra começar, os dias no Ceará andam bem movimentados. Sem praia (pasmem conterrâneos que faltam nos matar por isso), mas com muito debate, começamos a semana em ritmo frenético, encaminhando os trabalhos internos no período da manhã, ministrando as oficinas do “Programa Cubo Tec de Qualificação” durante toda a tarde e um pouco da noite, e tornando a encaminhar atividades do Circuito e Abrafin no período da noite. Isso todos os dias… Com esse ritmo, tenho evitado os trabalhos da madrugada, e tentando antecipar as atividades da manhã para no mínimo, às nove. Sacrifício grande para uma notívaga inveterada desde criancinha, sorte que o café da manhã do hotel estimula…
* As oficinas aqui em Fortaleza foram jóias. Hoje aconteceu seu último dia, e uma com os debates pudemos traçar uma série de diagnósticos, entre eles:
1) A cidade possui um série de agentes multiplicadores no campo da música independente: há três festivais associados à Abrafin – Feira da Música de Fortaleza, Ponto CE e Forcaos, além do Grito Rock e outros festivais de música e eventos que acontecem periodicamente por aqui; há uma casa de show – a conhecida Hey Ho Rock Bar (associadas à Casas) e outros vários espaços culturais solícitos a realização de eventos da cena; há ainda um punhado de associações, produtoras, produtores e bandas atuantes no setor como o Garfo, Montage, Jardim das Horas – antigo quarto das Cinzas – etc, que se dedicam a atividade no Ceará;
2) Apesar da abundância de agentes produtivos nos campos citados, falta uma maior articulação e debate entre eles, o que resulta numa desconexão e enfraquecimento do diálogo de todos enquanto classe, junto as outras esperas sociais (setor público, privado, terceiro setor);
3) Faltam veículos de comunicação dedicados ao setor, e também jornalistas e produtores de conteúdo que atuem com firmeza no desenvolvimento de suportes de mídias independentes focados na divulgação da música independente. Quem aqui já acessou algum veículo de Fortaleza que trate de música independente?
4) Falta uma maior conexão do setor em Fortaleza com outros estados nordestinos, estimulando de forma protagonista a troca de tecnologia, circulação e produção de conteúdo na rede do Nordeste Independente;
* Resultado: com os debates na área de planejamento (não participei dessa mesa), o encaminhamento dado pelos produtores presentes – Pablo Capilé (Espaço Cubo), Ivan Ferraro (Pró Disc), Amaudson (Forcaos), Dado (Noise 3D), Felipe Gurgel (Garfo), Frizzo (Agente Cultural), entre outros – foi a fundação da Rede Ceará da Música, que focará ações estratégicas de fomento, difusão e desenvolvimento dos trabalhos do setor no estado… Se cada um desses agentes produtivos sozinhos “fazem estrago”, imaginem agora juntos… A lógica da colaboração, sem dúvida, é saída inteligente até mesmo a quem pensa meramente em interesses. De fato, estamos sob novo teto de uma nova era.
* Enquanto esse debate corria, estive desenvolvendo oficinas para um grupo de jovens agentes culturais interessados no campo da comunicação indie. Dissertei bastante sobre a lógica da cooperação, qual o papel da comunicação quanto o tema é movimentação independente, e também dos desafios e estratégias possíveis… Creio, e sigo esse raciocínio ao aplicar oficinas como essa, que a técnica é sempre de menos quanto o tema é atuar nessa movimentação. Com o pouco tempo de oficinas, aposto sempre no método de falar sobre os desafiso de gerir e a importância de ser GESTOR ao invés de EXECUTOR, e também como o estimulo e criatividade para driblar as dificuldades são instrumentos pra quem quer se empreender. De qquer forma rolou uns videozinhos pra deixar a galera animada, afinal, quando se é adolescente, teoria demais, cansa.
GESTOR x EXECUTOR
*Acho que optar por um ou outro é escolher uma postura para a vida. Esperar as coisas acontecer e se comiserar com os insucessos são coisas de quem não sabe gerir, diferente do gestor, que faz acontecer faça chuva ou sol.
* Como o horário ta adiantado, vou ter que parar por aqui… Amanhã é dia de sol e último dia de Ceará, e como as oficinas acabaram vamos dar um alô (finalmente) para Yemanjá. Antes disso, claro, café-da-manhã, arrumação de malas, check out do hotel, etc etc etc. Amanhã a noite pegaremos mais dez horas de viagem, em direção a nossa próxima parada.. João Pessoa, aí vamos nós!
* Beijocas para todos. E logo logo trago mais notícias! Fui!
ps. corrido… incremento com mais fotos e vídeos depois.*
De Campinas para Recife

foto da semana: Oficina Cubo Tec no Festival Nação Cultural
Mais fotos aqui
*Ainda tem chão rapaziada, nossa andança tem mais quinze dias pela frente, e digo, pelo menos.
* Quem leu o Cubanna já sabe que a circulação está intensa por essas bandas daqui. De Buenos Aires – assunto de meu último post – já fomos para Campinas (SP), onde encontramos a rapaziada parceiríssima do Massa Coletiva, Goma, Escárnio e Osso, Travolta Discos, e além do Kuru Lima ( produtor do Conexão Vivo) e Célio Turino, secretário Programa e Projetos Culturais do MINC. De lá seguimos para Recife, de onde escrevo agora, deitada sob uma cama confortável do apartamento 663, no Hotel Cult, que divido com Lenza.
* Antes de Recife, sou obrigada a registrar alguns fatos.
1) O Encontro com a galera do Massa foi sensacional. Encontramos lá a Sarah e o Ricardo, que foram nos encontrar no lançamento do Coneão Vivo (onde o Capilé palestraria), aproveitando nossa passagem pela cidade. Foi bacana ver que a rapaziada está cheia de gás pra assumir a regional São Paulo no Circuito Fora do Eixo. Eles tão começando a mapear os possíveis multiplicadores do CFE em cada cidade, e com isso, retomar o debate sobre a Rede Paulista da Música Independente, antes ligada através do Rock Público. Como o Rock Público foi pras cucuias, a idéia é mobilizar os produtores paulistas para reoxigenar o debate e a produção entre eles. Sem dúvida vão desenvolver ali uma pá de projetos frequentes, que vai momentar e muito a circulação de idéias e agentes por ali. Num levantamento rápido, listamos vinte e duas cidades com multiplicadores em potencial… pra se ver o potencial que esse rede tem!
2) Outra rapaziada que promote produzir pra caramba são os paulistas da Travolta Discos. Só de ir ao nosso encontro debater o plano de inserção já demonstra – ao meu ver – um comprometimento interessante. Na oportunidade foram debatidos métodos de trabalho com a Fora do Eixo Discos, e ali sem dúvida, acertamos os ponteiros. Fato é que agora se espera uma Fora do Eixo Discos mais movimentada: banquinhas firmes e fortes nos eventos promovidos pelos coletivos; um ponto de distribuição em espaço privileagiado em São Paulo, na famosa Galeria do Rock; loja virtual com mais novidades e futuras reformas, enfim, movimento intenso de vendas. Estamos inclusive ajeitando o nosso espaço da Cubo Disco e muito em breve teremos novidades.
3) Outra coisa bacaníssima que rolou por lá foi a idéia de fazer o ano dos Estados na Abrafin – tipo como rolou na França.. o ano do Brasil – a partir de uma conversa que o Capilé teve com o Kuru. A proposta é bacana demais e já tá dando o que falar nas internas da associação. Com essa vitrine será possível conhecer mais a produção musical de cada estado, destacando as características estéticas, e também as políticas públicas que vem sendo aplicada em cada um deles… Imagine o banco de informações que uma ação dessas propiciará, e como será possível criar parâmetros pra se discutir as eficiências de cada modelo aplicado nas federações… como cada governo vem lidando com o seu fazer cultural. Rodando esse Brasil e comparando estado a estado, é possível ter noção de quem tá fazendo política pública de verdade, ou quem não tem a mínima noção do momento atual que vive o setor no mundo.
* Os dias em Recife estão sendo igualmente sensacionais… e olha que nossa passagem até agora foi oficinas-hotel; hotel-oficinas. Conhecer essa cidade/estado de perto está sendo uma satisfação. Além de calorosos, os pernambucanos tem se mostrado na diateira quando o assunto são práticas de empoderamento das minorias. E nem preciso dizer que eu – como uma boa cubista – estou mais estimuladíssima com as configuração do cenário cultural aqui. Conhecemos já por esses dias muitos modelos de coletivos de cultura popular e urbana, e ficamos encantados com a presidente da Fundarpe, Luciana Azevedo, pelo fôlego, vivacidade e clareza que ela possui sobre o papel do Estado no desenvolvimento de ações que visam educar e conscientizar os cidadãos em relacão ao seu papel, e como a cultura pode ser utilizada para isso.
* Nos identificamos de cara com ela, e depois de uma ampla exposição do Capilé sobre os trabalhos que o Cubo vem realizando em Cuiabá, no primeiro encontro ela já nos convidou para voltar mais vezes. Quer que participemos dos trabalhos que a Fundarpe vem desenvolvendo em algumas comunidades locais e também nas cidades pólos através do Festival Nação Cultural, que neste fim de semana acontece na cidade de Goiana, onde aplicamos ao longo da semana nossas oficinas do Cubo Tec; ou seja, o convite significa que neste ano ficaremos na ponte aérea Cuiabá-Recife-Cuiabá, com muita frequencia, e que por aqui, seremos presença constante.

* Desde que começamos a provocar os coletivos de outras cidades para ampliar cada vez mais a rede Fora do Eixo, integrar o nordeste sempre foi um desafio. Agora temos uma oportunidade ímpar, já que além da proposta de voltarmos mais vezes, amanhã estamos seguiremos viagem rumo Fortaleza, e depois para João Pessoa (PB)… Maravilha!
* Enquanto isso em Cuiabá, terrinha saudosa, as coisas continuam fervilhando na sede. Alfa Canhetti enviou peças da campanha “Vai ser amador até quanto”, que nós, do Negócios ao Cubo lançamos para bombar o nosso estúdio de ensaio… ou seja, se você é músico e mora em Cuiabá, corra que ainda temos 8 horas livres de ensaios em nosso estúdio. É a chance de você ensaiar e conhecer bem mais do nosso trabalho….

* Ainda tenho coisa demais pra contar, mas vou deixar pra próxima oportunidade. Por hora fica um smacks pra todo mundo. Lembrando, que a seção de comentários tá aberta pra quem quiser deixar um oi ou comentários sobre as exposicões. Fui!