Cubo da Luta

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De volta para Recife

sem comentários

Cá estou eu novamente, teclando desta vez de Recife, depois de dias de enfermidade e pulmões mergulhados sob a gosma chapante da gripe que se ensarnou em mim desde domingo, em nosso último dia de Jampalândia, e acomodou-me por pelo menos dois dias sob a cama amistosa, porém pouco familiar, do hotel Cult, para onde retornamos na nossa última  – creio eu e por hora – semana de passagem por terras pernambucas.

Falando em Jampa, o último post levantou um incêndio na cidade do Mundo. A tal história da MPB deu o que falar nas listas de discussões virtuais dos músicos paraíbanos, e também na movimentada Nordeste Independente, de onde sim, minha gente, sou membro há algum tempo. Lá inclusive é uma das fontes de pesquisas mais ricas e de onde viemos coletando e estudando, ao longo dos últimos dois anos, informações em geral que contribuam com as estratégias de ações em rede adotadas por nós cubistas…

Porém, não será ainda hoje que comentarei o assunto. Estou preparando um compilação de todos os argumentos apresentados durante a discussão de mais de cem post na lista no NE Indie e destacarei os pontos que considerei relevantes no embate que durou pelo menos três dias, e contou com uma pá de agentes produtivos bacanas opinando sobre o tema. Muitas leituras importantes foram publicadas ali…

Por hora passei pra dizer OI mesmo pra geral, e deixar na agenda que amanhã volto com mais post. Fui.

Escrito por marielleramires

Abril 17, 2009 em 5:12 am

Publicado em Circulação

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Em Jampa: cof cof cof

com um comentário

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A espera do ônibus para Jampa na Rod de Fortaleza: o volume da bagagem só que aumenta..

* Alô Alô saudoso leitor. Mais um dia de andança e dessa vez escrevo de João Pessoa, em nosso último dia de estada em terras paraibanas, sob um teto molhado de tempetura amena, porém, com um cachecol enrolado em meu pescoço em virtude de uma gripe alérgica que me acometeu e quase, repito, quase, derrubou-se em nossa quarta semana de pé-na-estrada. Com ânimo recobrado e com o pulmão bem protegido, cá estou reportando mais momentos importantes desse intercâmbio. Atchim (!) e vamos lá:

* Chegamos em Jampa – como carinhosamente é chamada a capital de PB há dois dias, conforme descreveu a Cubbana, em seu último post, e fomos recebidos pela dupla Mundo Carol Morena e Rayan Lins – produtores do Festival Mundo e que agora estão no comando dos trabalhos do Coletivo de mesmo nome por aqui. Vale a leitura:

1) O Mundo colocou PB definitivamente no mapa da circulação nacional, com a realização de ações como o festival já citado (esse ano chega a sua quinta edição), com Grito Rock Jampa, Festival Nordeste Independente, e shows periódicos promovidos pelo grupo produtor. Além disso, a cidade conta ainda com o Aumenta que é Rock, outra ação de repercussão nacional, que compõe o calendário indie da cidade, e que em breve solicitará filiação à Abrafin, o que (caso aconteça) aumentará para dois a representatividade de PB na teia de produções independente Abrafinicas;

2) Com a abertura da casa de show (que provavelmente levará a marca do coletivo) somada a instituição do ponto fora do eixo na cidade, a rota Recife, Jampa e Natal – cidade distantes a cerca de duas horas uma da outra- promote ficar ainda mais movimentada. Neste domingo rolou uma reunião com a participação dos três coletivos, a citar, Lumo (PE), Mundo (PB) e Noise (RN), a proposta é estreitar a relação entre o trio e desenvolver ações conjuntas de circulação, fomento e difusão da movimentação independente por aqui;

3) Assim como nas demais cidades nordestinas, por onde passamos, o diagnósticos em relação ao trabalho das bandas locais foram parecidos: investimentos parcos em circulação, pouca pró-atividade no que se refere a ações de difusão da própria marca, falta de organização para a produção de acões complementares que visem a sustentabilidade dos trabalhos (a exemplo do Movéis Coloniais de Acajú), etc. Só aqui há pelo menos duas bandas com visibilidade expressiva em nível nacional… quem nunca ouviu falar da Zefirina Bomba ou Burro Morto? A primeira já esteve em Cuiabá no mínino em duas ocasiões; a segunda provavelmente fará seu debute no Calango deste ano, ao lado de outros nomes bacaníssimos da nova música brasileira…

Ouça: www.myspace.com/burromorto

* Uma das discussões de destaque neste sábado, durante a oficina ministrada pelo Capilé foi sobre o conceito ‘independente’ capitaneado pela Abrafin. Vale lembrar que o conceito tem descricão estatutária, e que os festivais considerados como tal são aqueles que tem (1) no mínimo 75% das atrações, a cada edição, formado por artistas e bandas não ligados a grandesconglomerados, gravadoras multinacionais, selos “majors” e/ou ligadas a grandes grupos econômicos de entretenimento; (2) no mínimo 75% das atrações, a cada edição, formado por artistas e bandas brasileiros;  (3) no mínimo 25% das atrações, a cada edição, formado por artistas e bandas do estado onde o mesmo é realizado; (4) não pode ser gerido e/ou produzido por entes governamentais de quaisquer níveis (federais, estaduais ou municipais) ou ainda por quaisquer de suas secretarias; (5) não pode ter sua produção realizada, ou ser
mantido exclusivamente por grande emissora de telecomunicações; (6) não pode ser gerido e/ou produzido por grande emissora
(ver estatuto completo aqui);

* Uma das interpelações realizadas na palestra do sábado foi a do Escurinho, músico notório da Paraíba que acompanhou um bocadinho das exposições feitas pelo cubista durante a tarde. Ao tomar a palavra, o músico criticou a postura dos festivais em investir apenas no circuito rock e também os produtores jovens, que deveriam, segundo ele, ter o ouvido musical mais aberto a um universo mais ampliado da música brasilera. Citou como exemplo positivo o Abril Pro Rock, onde já havia tocado uma vez…

* No contraponto, Capilé argumentou que não há só festivais de rock na associação (há o MIMO, o Festival Consciência Hip Hop, Festival Cururu Siriri) e que a tendência é que esse universo ritmico se amplie mais… defendeu também que há muitos festivais se abrindo a diversidade de sons, a exemplo do Se Rasgun, Calango, entre outros, e que os produtores (que são os donos das produções e têm total autonomia na curadoria) veiculavam nos set lists o som que curtiam, e que a maioria, vinha do segmento do rock duro. O debate foi quente, e antes mesmo de acabar, o músico teve que se ausentar… o que particulamente, pra mim, soou inoportuno. Daí, traçoas seguintes reflexões:

1) Será culpa dos festivais a pouca inserção dos músicos da chamada MPB em seu set list?

2) Alguém sabe me dizer quais iniciativas esses tais músicas desenvolvem para a articulação do segmento? Não estariam ainda muito ligados à lógica do mercado da era áurea das grandes gravadoras, mesmo os independentes?

3) Qual a ocupação de espaço dos mesmos no que diz respeito ao debate sobre políticas públicas para a música no Brasil? A política da reclamação não seria mais cômoda?

4) Não seria mais adequado estrategicamente a presença desses músicos e produtores nos festivais mesmo que para pesquisar as produções, ou participar das rodadas de negócios, palestras e debates que vem sendo travados sobre as novas tendências do setor?

* Enfim, deixo as perguntas, e agradeço aos que quiserem contribui com o debate…

* Perdi hoje a reunião dos pontos Fora do Eixo da trinca local, 0 corpo realmente exigiu descanso (cof cof cof); Grande pesar da minha parte…

* Hoje é aniversário da minha mui amada irmã Michelle, que completa seus vinte e sete aninhos. Beijocas de parabéns micha.

* Logo seguimos para Recife, e de lá, com mais ânimos nos pulmões, conto mais novidades.*

Escrito por marielleramires

Abril 12, 2009 em 7:20 pm