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Cuiabá, aqui vamos nós!
* Bom dia! São quase seis da manhã. Depois de dezenas de dias de distância da sede, eis que em algumas horas estaremos pisando no saudoso solo hell cityano de novo.Nosso vôo de Recife sai ao meio dia, mas às dez estaremos deixando o hotel.
* Aqui terminamos a segunda etapa do projeto de circulação 2009. Daqui o avião faz conexão em Brasília, onde desembarca a Lê (ver em cubanna.wordpress.com). Na capital chegaremos às15h, e na sequencia rumaremos eu e Pablo à Cuiabá,onde permaneceremos por cinco dias. No dia 06, de bagagens prontas de novo, o destino será Roraima.
* No fim da segunda etapa os balanços são hiper positivos. Deixamos bem encaminhado o PIMB junto as comunidades de Santo Amaro e Alto Zé do Pinho; levantamos prognósticos animadores à respeito da atuaçao do Lumo (PE) como coletivo; ainda levantamos dados; aprimoramos novos projetos; fora as conversas, papos, informações que trocamos pelo longo do caminho de tanto estados que percorremos.
Saldo Etapa 02 / Preliminar 01:
* Estímulo a formação da Rede Ceará da Música;
* Investimento na formação do Lumoeda;
* Início ao projeto de constituição de dois novos bancos populares e/ou moedas complementares na cidade de Recife;
* Estímulo ao estreitamento das relações do Fora do Eixo Nordeste;
* Fortalecimento da relação institucional da rede Fora do Eixo com o poder público em instância federal, e no estado de Pernambuco;
* Estreitamento das relações entre o Fora do Eixo e a Abrafin;
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* Tô com uma fome danada, por isso não me prolongarei mais.
** Amanhã conto mais coisas, desta vez direto de Cuiabá.
Em Jampa: cof cof cof

A espera do ônibus para Jampa na Rod de Fortaleza: o volume da bagagem só que aumenta..
* Alô Alô saudoso leitor. Mais um dia de andança e dessa vez escrevo de João Pessoa, em nosso último dia de estada em terras paraibanas, sob um teto molhado de tempetura amena, porém, com um cachecol enrolado em meu pescoço em virtude de uma gripe alérgica que me acometeu e quase, repito, quase, derrubou-se em nossa quarta semana de pé-na-estrada. Com ânimo recobrado e com o pulmão bem protegido, cá estou reportando mais momentos importantes desse intercâmbio. Atchim (!) e vamos lá:
* Chegamos em Jampa – como carinhosamente é chamada a capital de PB há dois dias, conforme descreveu a Cubbana, em seu último post, e fomos recebidos pela dupla Mundo Carol Morena e Rayan Lins – produtores do Festival Mundo e que agora estão no comando dos trabalhos do Coletivo de mesmo nome por aqui. Vale a leitura:
1) O Mundo colocou PB definitivamente no mapa da circulação nacional, com a realização de ações como o festival já citado (esse ano chega a sua quinta edição), com Grito Rock Jampa, Festival Nordeste Independente, e shows periódicos promovidos pelo grupo produtor. Além disso, a cidade conta ainda com o Aumenta que é Rock, outra ação de repercussão nacional, que compõe o calendário indie da cidade, e que em breve solicitará filiação à Abrafin, o que (caso aconteça) aumentará para dois a representatividade de PB na teia de produções independente Abrafinicas;
2) Com a abertura da casa de show (que provavelmente levará a marca do coletivo) somada a instituição do ponto fora do eixo na cidade, a rota Recife, Jampa e Natal – cidade distantes a cerca de duas horas uma da outra- promote ficar ainda mais movimentada. Neste domingo rolou uma reunião com a participação dos três coletivos, a citar, Lumo (PE), Mundo (PB) e Noise (RN), a proposta é estreitar a relação entre o trio e desenvolver ações conjuntas de circulação, fomento e difusão da movimentação independente por aqui;
3) Assim como nas demais cidades nordestinas, por onde passamos, o diagnósticos em relação ao trabalho das bandas locais foram parecidos: investimentos parcos em circulação, pouca pró-atividade no que se refere a ações de difusão da própria marca, falta de organização para a produção de acões complementares que visem a sustentabilidade dos trabalhos (a exemplo do Movéis Coloniais de Acajú), etc. Só aqui há pelo menos duas bandas com visibilidade expressiva em nível nacional… quem nunca ouviu falar da Zefirina Bomba ou Burro Morto? A primeira já esteve em Cuiabá no mínino em duas ocasiões; a segunda provavelmente fará seu debute no Calango deste ano, ao lado de outros nomes bacaníssimos da nova música brasileira…

Ouça: www.myspace.com/burromorto
* Uma das discussões de destaque neste sábado, durante a oficina ministrada pelo Capilé foi sobre o conceito ‘independente’ capitaneado pela Abrafin. Vale lembrar que o conceito tem descricão estatutária, e que os festivais considerados como tal são aqueles que tem (1) no mínimo 75% das atrações, a cada edição, formado por artistas e bandas não ligados a grandesconglomerados, gravadoras multinacionais, selos “majors” e/ou ligadas a grandes grupos econômicos de entretenimento; (2) no mínimo 75% das atrações, a cada edição, formado por artistas e bandas brasileiros; (3) no mínimo 25% das atrações, a cada edição, formado por artistas e bandas do estado onde o mesmo é realizado; (4) não pode ser gerido e/ou produzido por entes governamentais de quaisquer níveis (federais, estaduais ou municipais) ou ainda por quaisquer de suas secretarias; (5) não pode ter sua produção realizada, ou ser
mantido exclusivamente por grande emissora de telecomunicações; (6) não pode ser gerido e/ou produzido por grande emissora (ver estatuto completo aqui);
* Uma das interpelações realizadas na palestra do sábado foi a do Escurinho, músico notório da Paraíba que acompanhou um bocadinho das exposições feitas pelo cubista durante a tarde. Ao tomar a palavra, o músico criticou a postura dos festivais em investir apenas no circuito rock e também os produtores jovens, que deveriam, segundo ele, ter o ouvido musical mais aberto a um universo mais ampliado da música brasilera. Citou como exemplo positivo o Abril Pro Rock, onde já havia tocado uma vez…
* No contraponto, Capilé argumentou que não há só festivais de rock na associação (há o MIMO, o Festival Consciência Hip Hop, Festival Cururu Siriri) e que a tendência é que esse universo ritmico se amplie mais… defendeu também que há muitos festivais se abrindo a diversidade de sons, a exemplo do Se Rasgun, Calango, entre outros, e que os produtores (que são os donos das produções e têm total autonomia na curadoria) veiculavam nos set lists o som que curtiam, e que a maioria, vinha do segmento do rock duro. O debate foi quente, e antes mesmo de acabar, o músico teve que se ausentar… o que particulamente, pra mim, soou inoportuno. Daí, traçoas seguintes reflexões:
1) Será culpa dos festivais a pouca inserção dos músicos da chamada MPB em seu set list?
2) Alguém sabe me dizer quais iniciativas esses tais músicas desenvolvem para a articulação do segmento? Não estariam ainda muito ligados à lógica do mercado da era áurea das grandes gravadoras, mesmo os independentes?
3) Qual a ocupação de espaço dos mesmos no que diz respeito ao debate sobre políticas públicas para a música no Brasil? A política da reclamação não seria mais cômoda?
4) Não seria mais adequado estrategicamente a presença desses músicos e produtores nos festivais mesmo que para pesquisar as produções, ou participar das rodadas de negócios, palestras e debates que vem sendo travados sobre as novas tendências do setor?
* Enfim, deixo as perguntas, e agradeço aos que quiserem contribui com o debate…
* Perdi hoje a reunião dos pontos Fora do Eixo da trinca local, 0 corpo realmente exigiu descanso (cof cof cof); Grande pesar da minha parte…
* Hoje é aniversário da minha mui amada irmã Michelle, que completa seus vinte e sete aninhos. Beijocas de parabéns micha.
* Logo seguimos para Recife, e de lá, com mais ânimos nos pulmões, conto mais novidades.*
De Recife para Fortaleza

Momento Oficina Cubo Tec: Capilé abrindo as atividades
*Oi novamente, e cá estamos nós agora em Fortaleza, depois vários dias de atividades em Recife – terrinha boa – que nos recebeu carinhosamente e, como já disse antes, nos proporcionou uma série de novidades.. tantas que já estamos estudando inclusive mudanças de datas em nosso planejamento… como nas datas do Calango, por exemplo. Nada oficial, questão em estudo, vale citar.
* Pra começar, os dias no Ceará andam bem movimentados. Sem praia (pasmem conterrâneos que faltam nos matar por isso), mas com muito debate, começamos a semana em ritmo frenético, encaminhando os trabalhos internos no período da manhã, ministrando as oficinas do “Programa Cubo Tec de Qualificação” durante toda a tarde e um pouco da noite, e tornando a encaminhar atividades do Circuito e Abrafin no período da noite. Isso todos os dias… Com esse ritmo, tenho evitado os trabalhos da madrugada, e tentando antecipar as atividades da manhã para no mínimo, às nove. Sacrifício grande para uma notívaga inveterada desde criancinha, sorte que o café da manhã do hotel estimula…
* As oficinas aqui em Fortaleza foram jóias. Hoje aconteceu seu último dia, e uma com os debates pudemos traçar uma série de diagnósticos, entre eles:
1) A cidade possui um série de agentes multiplicadores no campo da música independente: há três festivais associados à Abrafin – Feira da Música de Fortaleza, Ponto CE e Forcaos, além do Grito Rock e outros festivais de música e eventos que acontecem periodicamente por aqui; há uma casa de show – a conhecida Hey Ho Rock Bar (associadas à Casas) e outros vários espaços culturais solícitos a realização de eventos da cena; há ainda um punhado de associações, produtoras, produtores e bandas atuantes no setor como o Garfo, Montage, Jardim das Horas – antigo quarto das Cinzas – etc, que se dedicam a atividade no Ceará;
2) Apesar da abundância de agentes produtivos nos campos citados, falta uma maior articulação e debate entre eles, o que resulta numa desconexão e enfraquecimento do diálogo de todos enquanto classe, junto as outras esperas sociais (setor público, privado, terceiro setor);
3) Faltam veículos de comunicação dedicados ao setor, e também jornalistas e produtores de conteúdo que atuem com firmeza no desenvolvimento de suportes de mídias independentes focados na divulgação da música independente. Quem aqui já acessou algum veículo de Fortaleza que trate de música independente?
4) Falta uma maior conexão do setor em Fortaleza com outros estados nordestinos, estimulando de forma protagonista a troca de tecnologia, circulação e produção de conteúdo na rede do Nordeste Independente;
* Resultado: com os debates na área de planejamento (não participei dessa mesa), o encaminhamento dado pelos produtores presentes – Pablo Capilé (Espaço Cubo), Ivan Ferraro (Pró Disc), Amaudson (Forcaos), Dado (Noise 3D), Felipe Gurgel (Garfo), Frizzo (Agente Cultural), entre outros – foi a fundação da Rede Ceará da Música, que focará ações estratégicas de fomento, difusão e desenvolvimento dos trabalhos do setor no estado… Se cada um desses agentes produtivos sozinhos “fazem estrago”, imaginem agora juntos… A lógica da colaboração, sem dúvida, é saída inteligente até mesmo a quem pensa meramente em interesses. De fato, estamos sob novo teto de uma nova era.
* Enquanto esse debate corria, estive desenvolvendo oficinas para um grupo de jovens agentes culturais interessados no campo da comunicação indie. Dissertei bastante sobre a lógica da cooperação, qual o papel da comunicação quanto o tema é movimentação independente, e também dos desafios e estratégias possíveis… Creio, e sigo esse raciocínio ao aplicar oficinas como essa, que a técnica é sempre de menos quanto o tema é atuar nessa movimentação. Com o pouco tempo de oficinas, aposto sempre no método de falar sobre os desafiso de gerir e a importância de ser GESTOR ao invés de EXECUTOR, e também como o estimulo e criatividade para driblar as dificuldades são instrumentos pra quem quer se empreender. De qquer forma rolou uns videozinhos pra deixar a galera animada, afinal, quando se é adolescente, teoria demais, cansa.
GESTOR x EXECUTOR
*Acho que optar por um ou outro é escolher uma postura para a vida. Esperar as coisas acontecer e se comiserar com os insucessos são coisas de quem não sabe gerir, diferente do gestor, que faz acontecer faça chuva ou sol.
* Como o horário ta adiantado, vou ter que parar por aqui… Amanhã é dia de sol e último dia de Ceará, e como as oficinas acabaram vamos dar um alô (finalmente) para Yemanjá. Antes disso, claro, café-da-manhã, arrumação de malas, check out do hotel, etc etc etc. Amanhã a noite pegaremos mais dez horas de viagem, em direção a nossa próxima parada.. João Pessoa, aí vamos nós!
* Beijocas para todos. E logo logo trago mais notícias! Fui!
ps. corrido… incremento com mais fotos e vídeos depois.*
Direto de Buenos Aires – parte 2
* Escrevo do aeroporto internacional de Buenos Aires, Azeiza, e estou a cerca de quatro horas de distância de Guarulhos em São Paulo, meu destino depois daqui. Estamos eu e Lenza a espera de despachar nossas bagagens. Nosso vôo, que parte às 18h55, horário de Brasília. De lá partiremos para Campinas… nova escala que falarei mais sobre depois.
* Como não podia deixar de ser, esses dias em B.A. foram fantásticos. Pudemos encaminhar uma série de contatos, principalmente, estudar novas estratégias de conexões com outros agentes culturais latino-americanos atuantes no campo da cultura. Os tratados de cooperação cultural entre os países Ibero-americanos são uma realidade pouco exploradas ainda pelos agentes culturais brasileiros da música independente. Os intercâmbios vêem se ampliando mais e mais, isso é fato. Mas precisamos ainda nos ater mais aos debates e possibilidades que vem se dando neste campo institucional…

* O Campus Euroamericano que aconteceu na Universidade Católica Argentina – que motivou nossa vinda acá – foi excelente. Foi nosso reencontro com as discussões que vem sendo travadas sobre as práticas culturais no campo da academia. Algumas experiências apresentadas são realmente dignas de nota, como o “mapa de emoções’’ desenvolvido pelo francês Maurice Benayoun, que já circulou mais de dezenas de países e que através de uma proposta de interatividade tem como meta apresentar um diagrama emoções apontadas pelo público. Ao fim da experiência, segundo ele, as opções mais apontadas foram o medo, a ansiedade e a agressividade, ou seja, sentimentos que tem muito de fato haver coma vitrine do mundo.

* Outro projeto que não poderia deixar de citar é o ‘Crie Futuros‘ apresentada pela Lala Deheinzelin, que aliás, foi a figura que nos convidou para participarmos do Campus. Lala é uma figura corajosa, que entre muias atividades que desenvolve, realiza estudos acerca das facetas da Economia Solidária através do Enthusiamos Cultural. Sem dúvida, entre os estudiosos do tema, é uma das que mais sabe sintetizar a proposta do Espaço Cubo, esperamos te-la próximo inclusive por mais vezes…
* Além das já citadas, experiências no campo ecológico, ciências sociais, etc foram apresentadas durante todos os dias. Muitos foram os cases que pudemos conhecer ao longo desses três dias. Apesar de algumas surpresas no que tange as práticas, foi lamentável constatar novamente que a academia não consegue acompanhar o pique das inovações no campo prático. O resultado é que acabam sofrendo um delay que só acentua a distancia entre eles e nós, fazedores de cultura em campo. Uma pena…
* Outro momento importante foi o Encontro da rede das redes. Foi o momento de todos os agentes culturais presentes no encontro apresentarem os trabalhos que vêm desenvolvendo em seus países, e as conexões em rede que vem sendo estabelecidas. No próximo a meta é estarmos com o espanhol mais na ponta da língua …
* Como não só de trabalho vive um guerrilheiro, uma coisa bem bacana que rolou nesses dias foi o jantar de confraternização oferecido pela Secretaria de Cultura de Buenos Aires… Jantamos um bife de chorizo delicioso (só de lembrar…) e nos deliciamos com um espetáculo de tango e a apresentação de canções populares argentinas… foi realmente bem agradável o momento.
* Também aproveitamos a sexta de folga na programação – o Campus já havia terminado – para circular pela cidade… Gravamos mais trechos para a TV Cubo, conferimos mais um dia de BAFICI (Buenos Aires Festival de Cinema) e ainda demos um role pela cidade. Tudo poderá ser conferido no www.youtube.com/tvcubo.
* Agora a próxima parada é Campinas, onde Capilé ministrará uma palestra no Conexão Vivo e onde o coordenador do Cultura Viva, Célio Turino, lançará o Edital (que ainda não sei o nome mas conto amanhã) em mais uma parceria com o Ministério de Tecnologia. É a intersetorialidade potencializando as políticas públicas para a cultura …
* Depois de Campinas, retomamos nosso planejamento e seguimos para Recife, onde desenvolveremos a semana de oficinas para os agentes culturais de lá.
* Se não pintar mais escalas no cronograma, no meio da próxima semana estaremos em Cuiabá, de volta à sede… Até lá, muitas peripécias de circulação ainda serão pautas por aqui.*