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Em Recife mais dez dias
RecifeLinda
* Alô, olá, eis me aqui de volta, escrevendo novamente de Recife, cuja previsão de partida era pra hoje, porém, em virtude do ‘projeto de Implementação de moedas complementares e bancos populares no PE’ (que estamos desenvolvendo em parceria com a FUNDARPE e Lumo), resolvemos ficar um tempo mais para amarrar melhor a história antes de alçarmos vôo em direção à querida e saudosa Hell City, ou antes, sabe-se lá para onde…
* Depois de recuparada parcialmente da gripe pancada que me abateu durante a semana, consegui na quinta-feira, 16, participar das reuniões realizadas com as lideranças de Santo Amaro, uma das comunidades onde desenvolveremos o projeto, junto ao Alto Zé do Pinho – conforme a Lê já registou no Cubanna.
* A metodologia da reunião foi semelhante as demais já realizadas até aqui, porém, desta vez mais focada no Cubo Card. Depois de ouvir a experiência da moeda cuiabana e as explanações a respeito do modelo híbrido que pretende ser desenvolvido ali (força de trabalho + lastro em R$), o espaço foi aberto para os presentes tecerem considerações sobre o tema… e o resultado foi que poucas foram as vezes que a platéia acrescentou tanto ao tema. E não digo isso no intuito de desqualificar os demais ouvintes, mas de valorizar a participação da comunidade de Santo Amaro que iniciaramali o delineamento do projeto, conforme eles julgam necessário para a própria localidade…grande participação dos amaros.
* Além do projeto de moedas complementares, a semana foi marcada pelo acompanhamento da produção da rádio Abrafin, que desta vez transmitiria ao vivo o Abril Pro Rock, em parceria com o Lumo e Massa Coletiva. O resultado é que a transmissão foi um sucesso, teve momentos de tanto pico, que mal conseguíamos acessar o player. Postaremos em breve os melhores momentos para que quem não ouviu, possa curtir e opinar.

Em breve postaremos a retrospectiva no site da Abrafin
* Falando em APR, como não podia deixar de ser, fui conferir – junto aos meus companheiros cubistas – o primeiro dia da 17ª edição do lendário festival pernambucano, que fez escola na cena da música independente brasileira, e estimulou o surgimento de muitos outros eventos do gênero. É recorrente ouvir de jovens produtores, que freqüentavam o festival desde muito cedo, que se inspiraram com a proposta da empreitada… Referências históricas a parte, fato é que o APR hoje é bem diferente do método operacional CUBO… e por questões óbvias, que vão desde a escolha de seus headliners ao preço da bilhete. Fora o fato de como o festival dialoga com o cenário local, e trabalha pelo desenvolvimento de novos empreendimentos do setor… realmente bem diferente de método de gestão cubista.
* Pois então, conforme combinado hoje trago logo abaixo a compilação do debate sobre métodos de produção / modus operandi da MPB X Rock (nem queria colocar nesses termos, mas vamos lá) travado durante a discussão no NE Indie… Vale colocar, que as questões levantadas no último post de preconceituoso não há nada, e tampouco são pautadas em achismos. Pelo contrário, são constatações frutos de um processo de circulação amplo por diversos estados, e participações em dezenas de reuniões e fóruns de classe envolvendo músicos de diversos segmentos musicais. Fato é que boa parte dos músicos dedicados ao segmento sublinhado, vieram destacando sim mais problemas, que alternativas sustentáveis para as deficiências do setor. E como a participação do citado músico paraíbano não fora diferente, acabou servindo de gancho para um debate que rola há algum tempo nas internas cubistas…
* Deixo agora os comentários e reflexões tecidas ao longo do debate, e quem quiser acrescentar, sinta-se a vontade no comments. Abraços e fui!
ps. Amanhã vai rolar reunião com agentes do Circuito Fora do Eixo para debater o mapeamento das redes setoriais… quem tiver interesse em saber mais infos sobre o tema, só falar~!
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Pra contextualizar, a história foi a seguinte: A Carol Mundo postou meu texto e o da Cubanna na lista do NE Indie para divulgar nossa passagem pela cidade. Respondendo as questões que tinha levantado no último post, o Edy Gonzaga – do Cabruêra – teceu suas impressões sobre o tema, a partir daí a discussão se prolongou… Segue logo abaixo algumas considerações que foram tecidas em relação ao tema:
Edy Gonzaga – Soou preconceituoso em relação ao estilo, q na minha opinião não pega bem pra nenhum produtor cultura.
Pablo Capilé – São estes “reclamões” que mais recebem investimento do poder público em suas carreiras, que mais tocam em eventos de prefeituras e do Estado, que mais se encaixam na tal World Music que facilita a inserção em outros países e etc. Ai acostumados com isso, acabam montando grandes equipes em torno deles o que inviabiliza completamente a circulação pelo Brasil, que ainda tem um mercado em crescimento e que muitas vezes não pode pagar passagens para produtor, teÉcnico de som, roadie e mais a banda toda de um artista desconhecido na maioria das cidades (…)
Edy Gonzaga – (…) MPB tem uma série de artistas, tão ou mais articulados qto qqr um. Isso não difere em relação a estilo e sim em relação a atitude. Tem artista MPB, muito roquenrou e banda roquenrou querendo ser Caetano… Minha observação é em relação a isso. Não coloque td mundo no msm saco, nem generalize os exemplos… dependendo da situação, da hora e do dia, tudo muda (…)
Anderson Foca – No geral a turma da mpb participa pouco sim, mas acho que mais pelo fato de ter uma visão mais romântica da realidade e até pelo fato de não serem profissionais da área (muitos a tem outros empregos e tbm trabalham com música quando podem e afins). Mesmo sendo, muitos foram criados com pespectiva de gravadoras, solidez da fama e assim vai, ai terminam não entendo a que se propõe trabalhos com o do Festvial Mundo. Parei de chamar alguns artistas dessa praia no Dosol porque ele davam muito trabalho (muitas excigência) e nenhum retorno ao festival, que como todo mundo sabe é uma via de mão dupla e é bom para os dois lados.
Edy Gonzaga - Agora, o fato de eles participarem pouco das palestras ministradas pelo circuito rock, não quer dizer, em hipótese nenhuma, q eles estejam alheios ou desarticulados.
Pablo Capilé -Se o Macaco Bong é mais conhecido em Jampa do que o escurinho em Cuiabá isso deve ter algum motivo….principalmente pq um tem 20 anos de carreira e o outro tem 5..
Edy Gonzaga - O fato de eles não procurarem esse circuito não demonstra q eles não circulem, q não produzam, q não viajem. Esse circuito de rock, não é o único. O fato de vc não vê, não quer dizer q não acontece. Ele acontece msm longe do seus olhos. É isso q estou tentando mostrar. Amplie seu olhar, há muita coisa acontecendo além do q supõe a nossa vã filosofia (…)
Edy Gonzaga - Eu estou afirmando, como o próprio Bruno citou, q artistas do quilate de CURUMIN, só pra citar um exemplo, está inserido nessa sigla e consegue se articular muito bem… é isso q estou colocando. Afirmação q o txt do blog, contraria. Só isso.
Pablo Capilé -Eu não disse que só existe esse circuito, eu disse desde o começo que não contentes com o circuito diferenciado a que vc se refere, esses artistas reclamam de não participarem desses festivais, sendo que seu foco de trabalho na maioria das vezes nem é esse. E outra, peguemos Minas como exemplo de novo, essa historia de que existem circuitos aqui no brasil onde esses artistas sobrevivem muito bem e de forma organizada não é bem uma verdade né edy. A grande maioria ainda sobrevide de verba pública, só circula com verba pública, nao paga passagens para tocar, nao se conectam em rede, ou seja, estaõ MUITO DISTANTES de conseguir um mercado auto sustentavel para sua arte fora do circuito sesc, prefeitura, estados etc.
Henrique Baixos – Duas coisas: – Pq continuarmos dividindo os artistas em MPB ou Roque? Na boa… – Do it yourself.. e pelos outros.
Pablo Capilé - Vamos pegar isso pelos festivais, que da pra traçar um belo parametro: Os festivais de “rock” estão vcada vez mais abertos a diversidade em sua programação, muito mais pela propositividade do produtor do que propriamente dos artistas. Já os festivais de MPB continuam com o mesmo formato de sempre, não se abrem pra galera do rock e ainda mantem aquele esquema de festivais competitivos, com premiações e etc. Dai ja da pra tirar um pouco do Dna de cada um destes estilos.
Pablo Capilé - Quando falamos de “MPB” ou de ‘ROCK” estamos falano muito mais de uma filosofia de trabalho do que propriamente do som que cada um desses artistas fazem. Não é a toa que essa nova safra da MPB, a neo-mpb, ja nasce muito mais conectada com a filosofia desse circuito rock n roll, de se auto produzir, de pagar passagem pra viajar, de rodar os festivais da abrafin, de se divulagar via midias independentes que tem origem no rock e etc. Entre eles Curumin, Jonas Sá, Cabruera, Nina Becker, Do Amor, entre outros. Já os “old school” , que ainda são a bgrande maioria, manté aquela visao muito similar a dos festivais de “MPB” , mega equipes, milhares de exigencias, dependecia quase total do poder publico, foco no mercado internacional, naquela visão de artista iluminado que só quer ensaiar e tocar enquanto os “em volta” desenrolam as burocracias.
Edy Gonzaga - Mas, uma questão : qdo foi colocado o termo MPB não foi uma generalização sem considerar o q é ‘neo’, ou ‘pós’, ou proto ? Foi isso q me incomodou. Pq essas verdades ou soluções apresentadas, pelo rock ou mpb tem q estar contextualizadas. Essa não é uma cartilha tão simples de cumprir. Tem q ter informação, cacife, disposição e tempo. Vamos concordar, nem tds tem. Portanto, acho q não deveríamos desmerecer certa parcela da produção cultural simplesmente por não ter como, ou não conseguir se manter nesse patamar de organização e articulação.
Luciano Matos - A “MPB”, que generaliza ainda mais que o rock, não necessariamente não queria ser independente, mas tinha mercado pra crescer com um passo maio rdentor do mercado, gravadoras se ineteressavam, lançavam e tal, nao necessariamente grandes gravadoras, mas selos mais abastados. Isso tb nao da culpa aos artistas desse nicho, nao sao piores por nao se integrarem num modelo que aqui julgamos o unico correto. O que acho é que os festivais tem um poder maior do que revelar apenas bandas de rock, alguns ja fazem isso muito bem, outros são assumidamente só rock Não é erro, mas seri alegal ter mais que isto gosto de ver quando um Goiania Noise aprsenta alguns nomes fora do circuito rock tipo ano passado com Curumin, que circulou tb por outros festivais
Luciano Matos – a princpal forma de diferencia um artista do outro é a qualidade acho que é oprimeiro criterio, pelo menos deveria ser pra mim deveria ser o criterio de qualquer curadoria depois ver se é viavel ou nao, se o artista topa ou nao o esquema oferecido e sei que isso nao tem nada a ver com rotulo ou estilo (..)
Felipe Gurgel -O que eu acho que Pablo quis dizer é que alguns artistas encaixados no “filão MPB” talvez não estejam muito preocupados em facilitar o acesso a seus shows, tendo pouca flexibilidade de negociação e fechando olhos para a realidade mercadológica. Vaidade ou falta de noção desses artistas? Talvez não. Uns não têm a mesma condição de investir na carreira como um jovem de classe média pode ter, por exemplo. Mas também não faz sentido cobrar que o mercado lhe absorva exatamente do jeito que idealiza.
Pablo Capilé - O primeiro criterio tem centenas e milhares, se começarmos a debater aqui o que é qualidade pra cada um de nós o debate vai MUITO LONGE. É obvio que o primeiro criterio é a qualidade, mas ja passamos ele, ja estamos falando do segundo momento(…)
Luciano Matos - Acho que os festivais tem que ter essa responsabilidade, como exigimos das radios, das tv e nao creio que seja só pelo genero, estilo, acredito que tenha tb mas ai nao é hora de ver que se um cara exige um pouco mais é pq ele conquistou mais e nao pq ele nao é parceiro ou nao entrou no “metodo indie” de agir? nao é o unico o principal pra mim é se disponibiliza ro que melhor é feito em termos musicais
Fabrício Nobre - Os artistas tem que tentar flexibilizar e investir em circulação para poder participar de mais eventos. E os produtores, sim, tem que abrir as curadorias pra um leque mais abrangente de possibilidades. Mas o lance é debater mais, e tentar participar mais, não só tocando, mas atuando e se atulizando, do que chorando, e dificultando. (…)Sobre rock e MPB. O que é rock e que é MPB é muito complicado discutir no Brasil.
Pablo Capilé – Tu fala que faria de tudo para que os melhores pudessem tocar e lva a crer que é facil assim, que é so ter força de vontade que consegue colocar todos os artistas que vc quer na programação, quem dera que fosse assim. Sempre levo o que acho melhor para meu festival, mas nao da ptra ficar investindo 5 mil reais, mais 8 aereas, mais hospedagem e alimentação para artistas que são pouco conhecidos na cidade só pq são bons, o custo total de um artista desse é de 10 mil reais quase, tem gente que faz festival com esse valor. Marcelo Camelo faz exigencias mas leva publico cara, não estamos falando destes, estes ai circulam muito e sempre, estamos falando dos que nao são conhecidos, nao tem publico local e fazem algumas exihgencias alem da capacidade do festival.
Luciano Matos -só to dizendo que nao é o genero que define isso, senao nao teria o monte de nome de mpb e nao rock que vc disse la no outro mail que circulou pelos festivais o ponto de dicussao é, nao é o estilo que define se e chorão ou nao, se aceita ou não
Pablo Capilé -Mas é esse o ponto quando debatemos estatistica. estamos falando de maioria da mpb e maioria no rock. A Maioria da galera da mpb faz ainda algumas exigencias fora da realidade, e isso nao é mais maioria no rock hj, a galera ta mais antenada. É so ver que esses caras que estamos citando como exemplo de música contemporanea, ja nascem conectados a esse modus operandi do circuito rock, de auto gestao, de rede, de parcerias e facilitações, de negociações mais flexiveis e etc….
Luciano Matos - Não sei se Escurinho paga, mas sei de bandas de rock, que circulam por festivais qu enao pagariam tem varias ocisas ai, o pessoal da dita “mpb” talvez nao conheçam os festivais tão bem, não saiba os ganhos por tras, nao conheça o discurso cabe a quem faz chama-los, mostrar como é, se é do interesse que eles partivcipem e pelo que estou vendo é as bandas de rock independente ja entendem mesmo , em boa parte do que temos acesos, pelo menos
Pablo Capilé – Me mostra então esse circuito ai que existe no “outro meio” que a gente não acessa. Posso falar do centro oeste e do norte, e tenho certeza que aqui essas bandas do “outro meio” não circulam como as bandas do “nosso meio”. Galera do Rock tambem conquista editais, viaja pra fora e etc, ninguem ta falando que isso não é merito, isso ta mais que cERTO. Mas a maioria desse “outro meio” fica pendurada na verba pública, e se acomoda. É fato. Acabei de sair de uma reuniao agora com representantes do forum da musica de recife e outras entidades e percebi que aqui a historia é exatamente a mesma, fora do “nosso meio” a grande maioria fica esperando um poder publico PAI, um sesc PAI, etc.
Pablo Capilé – Todos os que vc citou estao fazendo o circuito de festivais tambem meu caro, Eddie, Cordel, Chico Correa, wado, todos. Esses ai nao ficam esperando dinheiro publico, esses ai facilitam demais pra ir. Esses ai são exceção, nós estamos falando da regra, da maioria. Já no Rock posso citar 100 aqui que estao facilitando se vc quiser, ou seja, é muito discreprante. É aquilo. no rock os bons artistas que facilitam é regra, no outro meio é exceção.
Pablo Capilé -Não da pra estimular a diversidade sem pensar em custo beneficio. Não é simples montar uma curadoria de festival com artistas que absolutamenyte ninguem conhece e que cobram uma fortuna. O Rec beat por exemplo é integralmente financiado pela prefeitura de Recife, ai é outra historia, da pra experimentar mais, sem falar que é gratuito. É muito facil falar de um plano ideal e não pensar que tem uma realidade por tras desse plano ideal.
Pablo Capilé – com a grana que gastaria trazendo a ceu ou a orquestra imperial, da pra trazer 10 artistas independentes tão bons quantos e que estão facilitando a circulação e retroalimentando a cadeia. Mas acho bacana que eles circulem, mas tambem nao estou falando desses que ja tem certa exposição de midia, to falando dos artistaas pequenos desse outro meio, que nao facilitam MESMO.
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* A segunda parte do debate publico no próximo post.*